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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

#25 - DOIS POEMAS DA PRAIA DA AREIA BRANCA, Sidónio Muralha

1

Na Praia da Areia Branca
os búzios não falam só do mar:
-- falam das pragas, dos clamores,
da fome dos pescadores
e dos lenços tristes a acenar.

Búzios da Praia da Areia Branca:
-- um dia
haveis de falar
unicamente do mar.


2

No fundo do mar,
há barcos, tesoiros,
segredos por desvendar
e marinheiros que foram morenos ou loiros.

Ali, não são morenos nem loiros,
-- são formas breves, a descansar,
sem ambições para os tesoiros
e de cabelos verdes dos limos do mar.

Serenos, serenos, repousam os mortos,

-- enquanto o mar
ensina o mundo a falar
a mesma língua em todos os pontos.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

#1 - ZÉ JEITOSO, Sidónio Muralha

Quando a noite cai, o Zé Jeitoso começa
uma história simples, uma história qualquer,
com palavras de embalar
para que o mar
adormeça,
-- o mar, diverso como um corpo de mulher.

Zé Jeitoso conta -- e os colegas a ouvi-lo,
sentados no chão, deitados no chão,
pensam que para contar aquilo
Zé Jeitoso traz o mar no coração...

Zé Jeitoso fala de longínquos portos,
de perrices fantásticas do mar,
e julga que os companheiros mortos
passeiam no céu, em noites de luar...

Zé Jeitoso fala... E nas palavras de embalar
os companheiros ficam presos...
O mar adormece... E, por cima do mar,
as estrelas parecem cachimbos acesos...